17 de abr de 2009

Para aquelas que ainda residem no armário

Para aquelas que ainda residem no armário

Diz-se que quando há duas versões de você mesma, é porque uma das partes de você mora em uma prisão.

Mas não seria extremo afirmar isso?

Muito debatemos sobre assumir ou não a nossa sexualidade. Há casos, penso eu, em que a opção de assumir sequer existe. É algo tão longínquo, tão improvável, tão distante da realidade que sequer é visto como uma possibilidade.

Minha esposa sempre diz uma frase que acho muito sóbria: Se você não está preparado para saber, não ache ruim eu ter lhe omitido.

E creio que é bem por aí realmente.

Mas, honestamente, nesta conversa que estou tentando ter com você, eu não estou muito interessada em quem não sabe sobre você. Eu estou interessada em você e na vida que você está se permitindo ter.

Lembro-me que há alguns anos, em um congresso em que eu estava trabalhando como intérprete, eu fui conversar com o rapaz que estava fazendo a tradução simultânea de algumas das palestras e perguntei a ele que técnica de concentração ele utilizava para conseguir ser fiel instantaneamente ao que estava sendo dito.

Ele me disse uma frase que me marcou bastante: Eu sinto como se eu estivesse literalmente separando o meu cérebro em duas partes: e eu deixo uma parte dele responsável por um idioma e a outra parte responsável pelo outro idioma.

Estava lembrando isso no outro dia quando li a coluna da queridíssima LadySports.

A questão é, querida, que não importa realmente se você tem que dividir o seu cérebro em duas partes desde que, no fim, você seja fiel ao que está sendo dito dentro de você.

Não importa que dois idiomas separem a sua mente ao ponto até de uma metade não entender direito a outra metade. Não importa sequer quem não sabe de você. E muito menos importa que uma importantíssima parte sua (provavelmente a parte MAIS verdadeira sua) more ainda dentro de um armário.

Nada disso importa DESDE QUE você esteja fazendo a sua“tradução simultânea”.

Você entende a metáfora que estou tentando lhe dizer?

Querida, se VOCÊ estiver fazendo a tradução, se você estiver conseguindo ser fiel à mensagem que vem de você, o armário, lhe garanto, é um detalhe absolutamente insignificante.

Não entrarei aqui em questões de movimento de classe ou de visibilidade social. É óbvio que quantas mais de nós estiverem fora do armário, mais chances temos de que, a longo prazo, consigamos alcançar a normalidade que queremos para os homossexuais.

Mas, honestamente, eu não quero que você sofra e vá de encontro às facas pelo resto de nós. Cada caso é um caso. Cada realidade deve ser tratada com a especificidade que ela possui.

A minha ÚNICA preocupação, querida, é que você viva. Não a vida que se espera de você, não a vida que aceitem que você tenha, mas a vida que faz com que a tua boca se transforme em umsorriso.

Pare de achar que todos devem saber para que você tenha a certeza de quem você é. Pare de pensar que há um momento ideal e que um dia algo magicamente acontecerá para que você finalmente viva tudo o que quer viver.

Não é assim que funciona.

Viver sempre foi e sempre será uma questão de escolhas.

As suas escolhas guiam a sua vida e delineiam os seus dias.

Vê a seriedade disso?

É VOCÊ QUEM FAZ OS SEUS DIAS.

Não são as pessoas que não sabem de você, e não são as pessoas que sabem.

É você.

Então, querida, se ainda é necessário, se a única realidade possível para você no momento é a de dentro do armário, não faça disso uma desculpa para não viver.

Os sonhos dos que estão fora do armário, acredite, são EXATAMENTE OS MESMOS dos que estão dentro do armário.

E os passos, olha que irônico, são também os mesmos:

# esteja aberta ao amor – ele te encontra, não é você quem tem que achá-lo

# saiba o que te faz sorrir

– não basta saber o que te faz triste, para deixar entrar o que te alegra de dentro para fora, é necessário que você se conheça

# se respeite – quando você se respeita, querida, as farpas do mundo não entram tão facilmente em você

# quando o momento chegar, deixe que ele realmente chegue – sempre falamos o quão importante é saber dizer não, mas acredite, SABER QUANDO DIZER SIM é a chave para todo acontecimento importante da sua vida

A questão é, querida, que um lugar é o que VOCÊ faz dele.

Em outras palavras, enfeite o seu armário inteiro! Deixe-o a sua cara! Coloque os quadros que você quiser nele, deixe tocar a música de sua escolha, pinte-o com a sua cor preferida, faça com que o idioma falado nele seja o seu.

Porque a verdade é, moça, que a vida pode até não vir no formato ideal muitas vezes, mas você tem um poder que em muitos momentos esquece: o de se aquecer se estiver com frio, o de se molhar se estiver com calor, o de comer se tiver com fome, o de beber se tiver com sede.

VOCÊ, POR ESTAR LUTANDO PARA SER QUEM É, É UMA GUERREIRA.

E uma guerreira, querida, luta independente do lugar em que esteja.

Lembre-se: o armário é um detalhe.

Não deixe que ele limite a sua vida.

Por Helena Paix

Fonte: Blog Strike Brete

http://strikebrete.blogspot.com/2009/04/de-dentro-do-armario.html?showComment=1240014420000#c3442455278145178957


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